• Bento Adriano Monteiro Duailibi

O RADICALISMO DE IDEIAS

Desde a Grécia antiga Sólon (640 a.C.) que foi um estadista, legislador e poeta grego, também foi considerado pelos gregos como um dos sete sábios da Grécia antiga e, como poeta, compôs elegias morais filosóficas. Em 594 a.C., iniciou uma reforma das estruturas social, política e econômica da pólis ateniense, assim deu início ao debate de ideias em relação ao sistema de governo, que melhor se encaixa em uma sociedade organizada.

Sociedade é um grupo de indivíduos que formam um sistema aberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo, sendo uma rede de relacionamentos entre pessoas. Uma sociedade é uma comunidade interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada. A origem da palavra sociedade vem do latim societas, uma “associação amistosa com outros”. Societas é derivado de “socius”, que significa “companheiro”, portanto o significado de sociedade é intimamente relacionado àquilo que é social. Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesse ou preocupação mútuas sobre um objetivo comum. Como tal, sociedade é muitas vezes usado como sinônimo para o coletivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem estar cívico.

Já segundo Aristóteles (385 a.C.), não se deveria classificar a democracia como o Governo que a maioria domina, pois mesmo que, em uma cidade, a maioria dos indivíduos fosse rica e eles dominassem isso seria chamada de uma democracia, mesmo tendo uma maioria seria uma oligarquia, pois o poder estaria nas mãos, somente, dos ricos. Uma democracia seria mais bem definida enquanto um Estado que os homens livres governam.

O ilustre professor de Direito, Dr. Dalmo de Abreu Dallari define o Estado como sendo “uma ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um povo situado de determinado território”.

A constituição de um País é a lei fundamental, um conjunto de normas básicas que compõe a estrutura jurídica, política, social e econômica. Por isso ela é chamada de Carta Magna, pois a ela nada se sobrepõe.

O professor Dalmo também magistralmente expressa: “Constituição é a declaração da vontade política de um povo, feita de modo solene por meio de uma lei que é superior a todas as outras que, visando a proteção da dignidade humana, estabelece os direitos e as responsabilidades fundamentais dos indivíduos, dos grupos sociais, do povo e do governo”.

Hoje estamos atravessando uma crise sem precedentes, todos os setores da sociedade estão sendo afetados, a economia e por consequência a garantida de emprego, a vida familiar, a relação das pessoas, e claro a situação político administrativa do nosso País, mas isso não pode ser desculpa para infração ao que de mais sagrado se tem em uma sociedade política organizada, que é o respeito as leis e a Constituição. Levamos séculos para chegar ao modelo político hoje aplicado, aonde todos tem voz e todos podem participar do processo político, nos termos dos artigos 14 e seguintes da nossa Constituição.

Isso é fundamental para o equilíbrio das relações sociais e tudo está consagrado no nosso ordenamento juridico e na nossa Lei Maior, mas o que se tem visto é o atropelo das normas e o radicalismo de ideias tentando se sobrepor a tudo e a todos, como se “gritando mais alto” poderia mudar o que os outros pensam. Não é verdade.

O amadurecimento democrático é saber entender que “Democracia é vontade submetida”, pois não é só a vitória da “vontade da maioria”, democracia de verdade é a aceitação por aqueles que não “votaram a favor” do resultado e trabalhar para o resultado positivo na sociedade e no Estado. E não é isso que estamos vendo, a realidade está sendo outra, os “derrotados” não trabalham para o melhor.

Triste realidade de uma democracia que não está demonstrando ser forte. É verdade que a democracia brasileira tem passado por transformações nos últimos cinquenta anos, mas agora estamos diante de uma situação inovadora que é o isolamento social, o que tem demonstrado eficiente em relação ao problema do COVID 19 que afetou o mundo todo, de outro vértice trouxe para o nosso país um grande problema econômico, aonde não se vê busca de solução em conjunto, pelo contrário, o que se tem observado é uma guerra de informações, “fake news”, troca de acusações, em fim nada que possa demonstrar avanço em conjunto para enfrentar o problema que é real.

O problema real é que temos milhões de novos cidadãos desempregados, um número absurdo de empresas fechando e o País beirando a recessão econômica grave e quem realmente deveria importar com esta situação, não o faz, ou pelo simples fato de ser de ideologia diferente ou por não aceitar a discussão no campo democrático e isso é uma faísca para detonar um gravíssimo problema social.

A radicalização das ideias neste momento não leva a resultado positivo algum, pelo contrário tende a levar a sociedade para um caminho sem volta com consequências gravíssimas, neste sentido os poderes devem, ou deveriam, traçar ações em conjunto para buscar uma solução pacífica e democrática, sem se importar com eleição ou reeleição ou com populismo. Hoje com esta situação tudo que o País economizou com reforma da previdência está comprometido, ou seja, tanta discussão que não vai resultar em nada, absolutamente nada.

Vai chegar um momento que de fato o comprometimento da economia será irreversível, e como solucionar? Na verdade, o que vai acontecer serão inúmeros “palanques políticos” e quem vai discursar serão aqueles que hoje tem feito pouco o quase nada para ajudar na saída pacífica e democrática para o problema real. E esses discursos vão procurar “vender” uma ideia diversa da real e do que realmente acontece nesses tempos de crise em nosso país.

O radicalismo nunca foi e nunca será solução para nenhum tipo de problema, a convergência das ideias para um resultado comum deve passar primeiro pela análise do que precisa ser feito e filtrar o que de bom cada um pode contribuir para encontrar a solução. Isso é verdadeiramente democracia, não quer dizer que vamos ter uma unanimidade, mas pelo menos se pode ter certeza de que todos estão contribuindo para resolver, e não criar situações que levem as causar maiores problemas ainda, como um conflito social. Dessa forma é que vamos conseguir sair mais forte de uma situação como a que estamos atravessando.

Não há forma mágica a não ser trabalhar em conjunto para um resultado positivo e sem conflitos, e isso deve ser o objetivo dos nossos representantes nos três poderes da República, pois se não for assim, estaremos diante de um futuro incerto e sem poder analisar de verdade as consequências.