• João Pedro Santana Pereira

PORQUE SOU MAÇOM

Atualizado: Mar 26

A todos que tiveram o privilégio e a oportunidade de trilhar o caminho da senda real, como eu tive, relacionando a analogia que faço a uma mensagem que vi nas redes sociais concluo que: a maturidade maçônica consiste em não pretender mudar os outros, e sim mudar a nós mesmos, pois é isso que a doutrina maçônica nos ensina. Precisamos praticar o aprimoramento moral em nossa caminhada evolutiva, pois o progresso permite o avanço material. Nós iniciados precisamos ficar atentos também com o nosso progresso mental e espiritual, pois todos são considerados livres e de bons costumes quando ainda não estávamos na Ordem, mas é preciso entender que a reforma moral se faz necessária, e depende de cada um fazê-la. Como nos ensina o trolhamento, devemos vencer as paixões, submeter a nossa vontade e fazer novos progressos na Maçonaria.

Uma pergunta para os demais maçons e até para os profanos, você que está lendo este texto agora já se fez este questionamento: Por que eu sou maçom? Primeiro o desejo tem que vir do coração. Eu sonhava desde pequenino em ser maçom, não era curiosidade, mas um desejo sincero, e a Maçonaria me acolheu através da apresentação feita pelo meu padrinho, que avaliou minha possibilidade em assimilar e desenvolver esta belíssima doutrina. Passei pelo crivo dos meus três sindicantes e dos irmãos que me aprovaram e depois me acolheram, me ensinaram sem reservas e sem dúvidas de que eu poderia ser mais um dos seus a comungar esta filosofia. Sem preconceitos, ela nada me pediu de material, senão as taxas de qualquer associação livre, mas incitou em mim a reforma interna através do contato com a taça sagrada, e do juramento que fiz sobre o Livro da Lei no dia de minha iniciação.

Incitou-me na busca de meu aprimoramento moral e espiritual enquanto construtor social, e me colocou de frente com as ferramentas que todos usam e são necessárias aos pedreiros livres para edificar seu próprio templo, mas me mostrou também o caminho correto que deveria doravante seguir. A Maçonaria não me prometeu salvação, uma vez que não é e nunca será uma religião, e também religião nenhuma tem poder para isso, mas me diz através dos rituais, normas e resoluções que tenho que trilhar o caminho com fé, tendo esperança em tudo que fizer de bom. Devemos também manter em nosso coração a semente da caridade, que é a grande elevação do homem iluminado, conforme vemos nos trechos do Livro da Lei que verbalizamos em todos os graus, neste maravilhoso REAA.

A Maçonaria tampouco me prometeu bens materiais ou recompensas, nem sucessos mágicos ou mirabolantes, nem as resoluções de problemas que enfrento, enfrentei ou que ainda poderei enfrentar. Ela nos dá as ferramentas para que possamos buscar em nós mesmos os meios de nossa própria evolução, guiados pelos ensinamentos contidos nos rituais empregados, na farta literatura disponível e no auxílio mútuo dos irmãos. A Maçonaria brasileira é eminentemente cristã, pois tem incorporada na sua liturgia o uso da Bíblia Sagrada, e como nos diz através de S. Paulo: ‘‘tudo lhe é permitido, porém nem tudo lhe convém’’;. Não nos proíbe de nada, somos os donos de nossos destinos, porém conscientes que somos os únicos responsáveis pelas nossas decisões. Mas é condição precípua acreditar num ente supremo que denominamos GADU, sem a qual não poderemos ser admitidos em seu seio.

Também a Maçonaria trata todos os assuntos com respeito, sem discriminação de cunho religioso, político, social e sexual, usando a coerência e a justiça, sem tabus ou preconceitos. Ela sempre vai ser ponderada e respeitosa com tudo e com todos, mesmo aqueles ignorantes que ao longo dos séculos a combatem por puro desconhecimento, medo ou ignorância. Não nos é permitido empunhar a bandeira da Maçonaria para pleitear um cargo público, porém enquanto cidadãos não podemos nos abster de pensar, opinar e sobretudo, da melhor forma, contribuir para o bem comum. O próximo, que também é nosso irmão, é sempre a nossa referência e objetivo.

Eu sou maçom porque não nos escondemos ou usamos a Maçonaria como escudo para justificar nossos preconceitos, nossos erros, nossas atitudes vis. Justamente o contrário, é preciso reconhecer e ter consciência das nossas fraquezas, e ter humildade em admitir nossas mazelas, para podermos evoluir, ainda que seja um pouco, nesta passagem terrena, pois devemos vencer as paixões e progredir.

Eu sou cristão e maçom, embora não necessite propalar aos quatro ventos quem sou, mas como sou e como conduzo minha vida nesta jornada na senda real, sendo exemplo pelas minhas ações e não pela minha oratória ou pela minha retórica. Porque para o mundo profano o julgamento de tudo que faço, de bom ou ruim, é creditado ou debitado à Maçonaria, por isso devemos rever nossos atos e decisões, não pelos outros, mas pela nossa própria consciência, que no fundo é nosso juiz.

Eu sou maçom e recomendo a todos os meus irmãos espalhados pelo orbe terrestre. “Tudo que falo eu antes penso, porém nem tudo que penso eu falo”, pois é função nossa soerguer e nunca rebaixar nossos semelhantes, que no fundo são os nossos irmãos, nos ensinou o Mestre dos mestres. Deixo uma mensagem final para reflexão: Um jovem estava querendo desafiar um sábio, numa pequenina aldeia da Ásia Central. Ao se defrontar com o sábio, ele questionou: “Mestre, qual é o segredo da felicidade?”. O mestre lhe disse: “O segredo da felicidade é nunca discutir com os idiotas”. Mas o jovem retrucou: “Eu não concordo com o que dizes, senhor”. O mestre prontamente lhe respondeu: “Você está coberto de razão”, e silenciou.