• José Valdecir Martins

LUIZ GAMA - SÍMBOLO DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Não é do desconhecimento de ninguém que Zumbi dos Palmares é o representante da consciência negra nacional. Mas o porquê disto? O porquê da grande mídia adotá-lo como símbolo da consciência negra brasileira?

Segundo a história, Zumbi dos Palmares como um líder negro, carregava consigo uma polêmica de que ele não era escravo e sim tinha escravos, fazia invasão de terras. Enfim, escravizava seus próprios irmãos e amigos negros.

O assunto é abordado no livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, escrito por Leandro Narloch, que conta que o líder mantinha a escravidão no Quilombo dos Palmares. Segundo o autor, era pouco provável que Zumbi, um indivíduo que vivia em meio a uma sociedade escravocrata, defendesse os valores de liberdade e igualdade que conhecemos hoje.

Mas, vamos ao que nos interessa: no meu ponto de vista, o verdadeiro representante e símbolo da consciência negra brasileira é o abolicionista Luiz Gonzaga Pinto da Gama, conhecido simplesmente como Luiz Gama.

Luiz Gama, esse sim tem as verdadeiras qualidades para representar tamanha responsabilidade para a consciência negra. Luiz Gama foi a luta, foi um grande incentivador da literatura para o povo negro, um expressivo jornalista, poeta e advogado, que foi reconhecido somente depois da sua morte.

Luiz Gama foi escravo num período de sete anos, sendo vendido pelo seu próprio pai para pagar dívidas de jogos e aos dez anos foi alforriado e o mais importante, não foi egoísta, começou a estudar direito como autodidata, pois não tinha condições e nem acesso à escola e mesmo assim ajudou na alforria de seu companheiro, irmãos negros. Palmares sendo o seleiro dos negros escravos, Gama não fugia de suas raízes, percebam nessa estrofe poética dele.

Hoje triste já não trinas,

Como outrora nos palmares;

Hoje, escravo, nos solares

Não te embala a dúlia brisa;

Nem se casa aos teus gorjeios

- Pelas negras rochas calvas

– Da cascata que desliza.


Sem dúvida, Gama fazia a poesia amplificar seu drama existencial, conferindo-lhe um alcance político, “pois ele passa a representar a condenação não apenas daquele ato isolado, mas da sociedade que o autoriza. Esse drama existencial refletia-se em sua verve literária. Em seus escritos, Luiz Gama tinha o corriqueiro gesto de “anunciar a singeleza” de seus versos e solicitar complacência de seus leitores. Essa postura está presente no primeiro poema do livro, denominado Protase, que anuncia o perfil satírico do autor e o processo de construção de suas trovas burlescas.

Diante dessas qualidades e de muitas outras que a impressa mostra que Luiz Gama deve ser o verdadeiro representante da consciência negra, mais também o símbolo do 13 de maio, dia da Libertação dos Escravos. Porém, todavia, Gama demonstrava a plena convicção ideológica de sua particularidade racial através do seu ativismo, muitos reconhecem sua admirável trajetória de vida, podendo-se notar sua sensibilidade em relação aos juízos sociais e filosóficos que colocam em dúvida a capacidade cognitiva dos negros.


José Valdecir Sousa Martins