• Gilson Rodolfo Martins

2021: CENTENÁRIO DA FUNDAÇÃO DA PRIMEIRA LOJA MAÇÔNICA EM CAMPO GRANDE-MS

A terceira década do século XX (1921 a 1930), período diretamente subsequente ao final da Primeira Guerra Mundial, tanto na Europa como na América, incluindo-se o Brasil, foi caracterizado por episódios históricos muito relevantes, específicos e inovadores. Entre outros, pode-se destacar, o crescimento econômico provocado pela reconstrução do cenário pós-guerra, internacionalização da economia, o início da “civilização do automóvel”, o início da “Era do Petróleo”, expansão do neocolonialismo, consolidação da Revolução Russa, propagação do pensamento científico/tecnológico, a eletrificação das cidades, o incremento da vida urbana noturna – Belle-époque –, surgimento do modernismo artístico/cultural, expansão dos conflitos de natureza ideológica, etc.

No Brasil, sob forte influência dos acontecimentos mundiais acima descritos, assistimos à industrialização de São Paulo e, em menor escala, de algumas outras cidades onde surgiram estruturas sociais redesenhadas, tais como, o operariado e a camada dos dirigentes e proprietários industriais ou ainda uma incipiente classe média. Em decorrência dessas influências, surgem novas formas de pensar, de fazer política (tenentismo), de criar (Semana de Arte de 1922). Em um mundo que caminhava para a polarização radicalizada a Maçonaria também reflete essas tendências históricas. No ano de 1927, ocorreu a primeira grande cisão da Maçonaria brasileira, cujos reflexos se farão sentir também no então estado de Mato Grosso ainda indiviso. Lembramos aqui que foi nesse ano que se organizaram em Campo Grande os primeiros encaminhamentos políticos e conceituais com vistas à divisão territorial do estado.

Quando o município tinha apenas 22 anos, foi no contexto histórico e cronológico descrito acima que surgiu uma nova geração de lojas maçônicas no Brasil e em Mato Grosso, entre elas a Augusta e Respeitável Loja Simbólica “Oriente de Maracaju”, fundada no dia 22 de outubro de 1921, portanto completando 100 anos de existência no segundo semestre do corrente. Em 21 de abril de 1922, seguindo as rígidas orientações ritualísticas da Ordem, em uma cerimônia muito solene, foi lançada a Pedra Fundamental do Templo Maçônico que até os dias de hoje sedia a centenária e pioneira loja maçônica de Campo Grande. Localizado muito próximo ao ponto mais central da cidade - simbolizado pelo lugar do antigo relógio instalado no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a rua 14 de julho - esse edifício foi reconhecido como Patrimônio Histórico, testemunhando assim, para o futuro, o lugar do pensamento maçônico na edificação da cultura e sociedade campo-grandense.


Gilson Rodolfo Martins